We are such stuff as dreams are made on.
Somos da mesma substância que os sonhos, diz Shakespeare n'A Tempestade. Na peça, ele se pergunta o que é o homem, qual a diferença entre realidade e ilusão; deixa-nos com todas essas indagações, contudo saímos do teatro com algum conforto, seja inebriados com a certeza de que podemos ser tudo aquilo que nossos sonhos nos permitirem, ou mesmo aliviados pelo fato de nem Shakespeare saber respondê-las. Seja como for, a experiência de assistir a Shakespeare com cenário moderno e personagens imaginários choca, num primeiro momento, que pode ter-me levado a criticar a escolha do diretor, que, no entanto, revelou-se acertada depois de uma noite no mundo etéreo, mesmo que tenhamos a impressão que os atores se perdem durante a transição "ao vivo" entre personagens... realidade ou ilusão, perdem-se realmente ou não? Será que o fato de sermos da mesma substância que os sonhos nos torna etéreos? Acredito que sim ao passo que somos potencialidade, e temos planos de vir a ser. Como li...