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Mostrando postagens de 2009

500 dias com ela

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Este fim de semana assisti ao filme 500 dias com ela [(500) days of Summer]. Inteligente, com ritmo legal, adorável. Trata-se de uma história de garoto-conhece-garota, o garoto fica apaixonado, e a garota nem tanto. O garoto sofre, a garota segue em frente. Talvez a inovação do filme resida exatamente em apresentar a história de modo não-linear; os saltos temporais mostram os diversos estágios do relacionamento dos protagonistas, como acontece na vida real. Ao lembrarmos de um ex-relacionamento, ou de acontecimentos passados, é comum embaralhamos a ordem das coisas. Além disso, algo que me chamou muito a atenção foi o nome das garotas: Summer e Autumn. Teria sido o relacionamento com Summer (verão, em inglês) bastante intenso, com temperaturas elevadas, com os dias longos, assim como a estação do ano? No final da história, chega Autumn (outono, em inglês), que talvez represente não só um novo relacionamento potencial, mas a mudança de comportamento frente aos relacionamentos. O filme t...

Wanderlust

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Apesar de ser cético em relação a assuntos de destino, recentemente tenho sido surpreendido por acontecimentos que parecem ir ao encontro das minhas expectativas. Um exemplo: esta semana, no trabalho, traduzindo um manual técnico me deparei com uma palavra - da qual nem me recordo agora - desconhecida; pesquisando-a no dicionário, por alguma razão me apareceu outra palavra, a que dá título a este texto - Wanderlust, um termo alemão que pode ser entendido como, em linhas gerais, o desejo de viajar, a simples necessidade de ir a qualquer lugar, em busca do desconhecido. Mas não apenas isso, a sensação vai além, é também física, as pernas têm necessidade de caminhar, em direção a algo novo, que é, no final, o objeto do desejo. Talvez isso tenha se intensificado pelo fato de minhas férias estarem pertinho; menos de 27 dias... Na linha do wanderlust, alguns filmes despertam o desejo mais puro de ir (e isso nada tem a ver com o comercial do cartão Visa): Vicky Cristina Barcelona; Encontros e...

A hora do verão

O cinema francês sempre instiga a reflexão, parece recusar-se a entregar a trama pronta, a esmiuçar a narrativa. Os espectadores devem, então, se esforçar para dar significado ao que lhes é mostrado e encontrar dentro de si o que está oculto. Para mim, ver um filme francês sempre é a descoberta dos desejos que eu cismo em esquecer que existem. O filme L'Heure d'Été (Horas de Verão) é um drama que mostra o processo de partilha da herança e das memórias do pintor Paul Berthier, deixadas pela mãe de três filhos, cada um com suas trajetórias de vida, e de como cada um deles atribui valor sentimental e econômico aos bens partilhados. O filme vai além, mostra que, não obstante esses bens terem valor artístico-econômico, fazem parte da história de vida e são parte dos três filhos. Apesar disso, cada um deles dá valor e importância diversos aos objetos e às memórias propriamente. No fim das contas, o que levamos são as lembranças e não o valor econômico dos bens que herdamos. Uma obra ...

E lá fui eu para Salvador

sexta-feira, 12 de junho, 2009, 00:35 Thiago fala: Carlos, você tem milhas? Carlos fala: Tenho sim. Thiago fala: Rola me dar umas pra Salvador? Carlos fala: Claro. Bem, foi mais ou menos assim que começou a viagem. Sim, fugi de São Paulo, na sexta-feira mesmo. Às 7:35 eu deixava Cumbica com destino a Salvador, na Bahia. Foi uma viagem dessas de último minuto, passagens compradas, ida pela Gol – que agora cobra o lanchinho (só deram amendoim e refrigerante para quem não pagou), e volta pela TAM - com direito a lanchinho sem pagar. Duas horas mais tarde eu desembarcava no aeroporto “internacional” de Salvador - bem arrumadinho e limpo –, num calor úmido e sufocante. Já na saída encontramos as baianas do acarajé, da cocada, da água de coco… A cidade histórica é bonitinha – se fosse mais bem conservada, mais limpa, cheirinho melhor e mais segura... -, mas as praias são ótimas, apesar do assédio constante dos vendedores ambulantes. Como comentei no post anterior, viagens sempre causam trans...

Soltando as amarras…

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Só se sabe o que escrever, escrevendo; só se sabe viajar, viajando... Passado algum tempo sem escrever, talvez por não ter nada digno a ser dito, estou cá esperando o engarrafamento da Berrini - da qual tenho uma vista privilegiada, uns acreditam - e da Nações Unidas diminuir para voltar para casa, numa quarta-feira pré-feriado. Resolvi sentar e escrever sobre qualquer coisa, e é engraçado como as palavras vêm, e como as contradições contribuem para a idéia. Maior engarrafamento do ano, diz o UOL, e eu aqui planejando minhas férias, em outubro - viajar e estagnar. Desejo de mudar e a realidade que permanece. Decidi que minha próxima viagem será para a Europa, 20 dias de liberdade da rotina do trabalho, do cotidiano caótico de São Paulo, flanando pelo Velho Mundo... sim, quero ser um flâneur, como dizem os franceses - vagar, sem rumo, experienciando os lugares, pensando na vida, sem compromisso outro que não esse. Acho que pensar uma viagem talvez seja a parte mais divertida, pois traz ...

Por um amor incondicional

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Vi ao filme Les Chansons d'Amour (Canções de Amor) algumas vezes, adorável. Cada vez descubro algo lá no fundo que é tocado e aflora, numa explosão de lágrimas incessantes, até o esgotamento. É curioso como determinadas músicas, situações, livros, sons, cheiros, memórias, comidas... têm a capacidade de despertar sentimentos em nós, que muitas vezes não damos conta que existem. O filme traz muito disso, mas eu quero comentar uma frase específica, que bate lá no fundo e me faz pensar: no balcão do apartamento, o protagonista diz 'aime-moi moins, mais aime-moi longtemps' (algo como: 'me ame menos, mas por muito tempo'). Essa frase têm implicações muito fortes para mim. Uma delas diz respeito à necessidade de amor incondicional, acima de tudo. Outra o fato de ela mostrar o lado mais pungente dos relacionamentos. Se, por um lado, o que se busca é o amor incondicional, exige-se que ele nos seja dado em troca de muito pouco. Doar-se ao outro requer muito, e o medo de deix...

O que a evolução nos ensinou

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Estou às vésperas de terminar a leitura de um livro superinteressante, chamado O Colar do Neandertal (Juan Luis Arsuaga); nele, além de muita informação sobre diversos aspectos da vida dos neandertais e dos cro-magnons (os últimos, nossos ancestrais diretos), o autor apresenta dados estatísticos sobre mortalidade infantil para ambas as espécies - que, diga-se, era muito alta. Pois bem, antes do advento da Medicina como a conhecemos (hospitais, postos de saúde, vacinas, terapias diversas, cirurgias, antibióticos, DNA...), a taxa de mortalidade era muito alta; até mesmo no começo do século passado - e em muitos países subdesenvolvidos ainda, especialmente na África - perder uma criança era (é) comum, e visto como um fato da natureza. O que mudou, então? Parece que nossa sociedade moderna perdeu a habilidade de aceitar a morte. Se outrora nada podia ser feito, exceto calmamente aceitarmos o inevitável, hoje lançamos mão de recursos mil para evitá-la, e quando somos vencidos, nos entregamo...

Dos princípios...

Todos temos princípios, certo? Como nos mantermos fiéis a eles e nos relacionarmos com o mundo? Tarefa difícil, que tem diversas implicações, como, por exemplo, quando você, recém-coração partido, conhece pessoas, que o tacham com termos tais como "pessimista", "chato", "metódico". Pronto, não bastasse o sofrimento causado pelo rompimento de um laço afetivo, agora se tornará a chacota do grupo. Mesmo assim, você segue firme, atendo-se a seus princípios. Continua fiel a sua mais íntima decisão de ser um indivíduo coerente - apesar de outrem afirmar ser isso besteira. No fim da história, essas vozes que burburinham incessantes, que bradam ao vento palavras sorridentes talvez não sejam de fato coerentes, nem sequer felizes (e no fim da noite elas se lamentem, cutucando você, como se quisessem ser ouvidas, mas aí você já não esteja tão a fim assim...) Elas gastam mais energia se fazendo-parecer, que sendo de fato algo. Há diversos modos de encarar experiências...