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Mostrando postagens de maio, 2008

My Blueberry Nights - Beijo Roubado

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Vi o filme. Acho que o que agrada nele é a fácil identificação com situações que já vivemos, principalmente a questão dos relacionamentos findos, e o medo de assumir novos, ou então investir na imagem da pessoa amada perdida, e sofrer, acreditando que isso nos torna mais nobres, de algum modo. Certo está Jeremy (Jude Law) - podemos dizer -, que guarda a sete chaves as histórias e angústias, que é capaz de deixar seu grande amor ir e permanecer no mesmo lugar, esperando... até o momento em que decide roubar um beijo, que sequer é sabido pela beijada - qual o sentido disso? Acho que se eu me atrever um pouco, posso extrapolar a idéia e dizer que é um filme dentro de um filme. As fitas que Jeremy grava, e depois assiste como se fossem ficção, para mim, indicam a postura que ele toma, e que todos no filme, de certo modo, tomam. Ninguém participa de nada, a vida acontece, e só. Elizabeth (Norah Jones) assiste seu ex-amado com outra, pela janela do quarto, e assiste, sem se envolver, as pes...

Mentiras que a gente compra

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Calma, não se trata de nenhuma verdade à la Michael Moore. Mas bem que poderia. O site alemão Pundo (confira as outras fotos no site ) traz uma série de fotos de produtos, como os que diariamente compramos aqui no Brasil, cuja embalagem promete o manjar dos deuses, mas na hora C (sim, não errei não, é hora C mesmo, de Comer!) nos deparamos com algo medonho. Fica a lição para aqueles que acham que Photoshop é usado somente em revista de mulher nua e afins (lembram-se do caso do umbigo apagado da barriga da modelo? Confira aqui ).

O que O Estrangeiro tem a ver com Arquitetura?

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Finalmente, após meses, consegui terminar a leitura d' O Estrangeiro , do Camus. Esperava mais do livro. Não que seja ruim, pelo contrário, a idéia toda é ótima, mas a narrativa, seca demais, acaba minando aquela vontade de virar a página, para ver o que acontece em seguida. O livro fala, em linhas gerais, do estranhamento, de sentir-se um estrangeiro no mundo, ... enfim, não encontrei inspiração para continuar este texto, então, vou falar de outro livro, muito interessante, que li no fim do ano passado: A Arquitetura da Felicidade, do filósofo suíço Alain de Botton. Nele, Botton discorre sobre a influência da arquitetura em nossas vidas, bem como a noção do que é um edifício bonito. Afirma que a beleza das construções e dos objetos ao nosso redor possui a incrível habilidade de influenciar se somos felizes ou infelizes, e que a noção de beleza depende do que nos falta ou daquilo a que almejamos. Faz sentido. Para ele, a periferia de Paris é um exemplo de arquitetura impedindo que ...

Distribuição de renda

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Deu na Folha da S. Paulo (on-line) de 15/5: no Brasil os 10% mais ricos da população concentram 75% da riqueza . Não é de se espantar, afinal, seguimos nossa trajetória histórica de desigualdade na distribuição de renda. O estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), no qual a reportagem da Folha de baseia, ainda indica que a cidade de São Paulo desponta como a mais desigual, seguida de Salvador e Rio de Janeiro. Há quem diga que parte da culpa se deve à injustiça tributária, em que os ricos pagam pouco imposto quando comparados aos pobres. O coeficiente de Gini , que mede a desigualdade na distribuição de renda/riqueza, aponta o Brasil como um dos mais desiguais historicamente, na frente de países como Suazilândia, Zimbábue, Moçambique, Ruanda (vale lembrar que o coeficiente não leva em conta o tamanho do país) - os países escandinavos e o Japão figuram entre os com melhor distribuição (lembre-se do tamanho desses países). O mapa mostra o coeficiente Gini no mundo (o ama...

A prosopopéia do mercado

Foi-se o tempo em que somente na Literatura havia seres inanimados ou animais agindo como pessoas, expressando sentimentos humanos e fazendo coisas de gente. Se outrora eram os dias que podiam estar tristes, a rosa que acordava despenteada, a raposa que dava lição sobre o valor da amizade - exemplos abundam -, nas últimas décadas são os Estados Unidos que dizem preferir resolver a questão com o Irã diplomaticamente, o navegador da internet que adora travar, a Bovespa que está confiante, ou o mercado que exige que as modelos sejam magras. Este último, em especial, parece ter se tornando um ser vivo, pensante, que tem a primazia das nossas vidas. É curioso que uma "coisa" criada por nós mesmos acabe ditando nosso comportamento. Nada mais perverso, acredito. Ouvimos diariamente que o mercado exige profissionais altamente qualificados, que o mercado é implacável, que as modelos que o mercado quer devem ser magras... Ora, partindo da noção de que o mercado não existe como um ser a...

O que acreditamos

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Navegando na Internet, encontrei este quadrinho interessante sobre o processo de criação de significado. Acredito que nossa interação com o mundo, em boa parte, se dê por meio da linguagem, mais especificamente pela função nomeadora com a qual nos equipa. Nomeando damos vida às "coisas" que, de outro modo, permaneceriam no limbo dos nossos pensamentos. Dulce, uma grande amiga e escritora-em-formação - exímia tradutora, vale ressaltar -, vive às voltas com problemas tradutórios (cf. O Inferno de Dulce ), além de já ter expressado a dificuldade de se botar no papel o pensamento mais simples, às vezes. Como mostrado no quadrinho, o enunciador 1 tem uma imagem completa do cachorro, e o enunciador 2 precisa que este lhe dê mais dados para compreendê-la. No entanto, o que se desenvolve é que o enunciador 1, apesar de ter sempre o mesmo cão em mente, atribui valores diversos cada vez que vai falar dele. A imagem mental que o enunciador 2 tem, por sua vez, muda a cada nova informaçã...